Eurípides (também grafado Eurípedes; do grego
antigo: Εὐριπίδης)
(Salamina, ca. 480 a.C. — Pela, Macedônia, 406 a.C.[1]) foi um poeta trágico grego, do séc. 5 a.C., o mais jovem dos três
grandes expoentes da tragédia grega clássica, que ressaltou em suas obras as
agitações da alma humana e em especial a feminina. Tratou dos problemas
triviais da sociedade ateniense de seu tempo, com o intuito de moderar o homem
em suas ações, que se encontravam descontroladas e sem parâmetros, pois o que
se firmava naquela sociedade era uma mudança de valores de tradições que
atingiam diretamente no modo de pensar e agir dos homens gregos.
Vida
Pouco se sabe de
sua vida, mas parece ter sido austero e pouco sociável. Apaixonado pelo debate
de idéias, suas investigações e estudos lhe trouxeram mais aflições do que
certezas. Alguns críticos o chamaram de "filósofo de teatro", mas não
há certeza se Eurípedes, de fato, pertenceu a alguma escola filosófica, mas sim
a grupos de filosófos. Contudo, parece inegável a influência do filósofo Anaxágoras de Clazômenas e também do
movimento sofístico.
Ao longo da sua
vida, Eurípides foi considerado quase um marginal e foi frequentemente satirizado
nas comédias de Aristófanes. No final da vida, talvez desiludido com a
natureza humana, viveu recluso rodeado de livros e morreu em 406 a.C., dois anos antes de Sófocles.
Estilo
Para Eurípides,
os mitos (elementos vitais da tragédia) eram apenas coleções de histórias cuja
função era perpetuar crenças sobre concepções primitivas. Por tal motivo, opta
por relatar em suas tragédias a história dos negados e/ou vencidos, podendo
citar como exemplo a obra As Troianas, em que o autor relata a história
das mulheres da cidade de Tróia (lembrando que na época as mulheres não eram
consideradas como membros da sociedade). Nisso se diferencia tanto de seus
predecessores quanto rompe com características importantes aos gregos. Esse
rompimento talvez lhe tenha impedido de construir peças harmônicas e perfeitas
no seu conjunto, já que os mitos cumpriam muito bem esse papel de fundo. Mesmo
assim, compôs cenas memoráveis e agudas análises psicológicas.
As suas peças
não são acerca dos deuses ou a realeza, mas sobre pessoas reais. Colocou em
cena camponeses ao lado de príncipes e deu igual peso aos seus sentimentos.
Mostrou-nos a realidade da guerra, criticou a religião, falou dos excluídos da sociedade:
as mulheres, os escravos e os velhos.
Em termos dramatúrgicos
Eurípedes adicionou o Prólogo à peça, no qual “situa a cena” (apresenta o que se
vai passar). E criou também o “deus
ex machina” que servia muitas vezes para fazer o final da peça.
·
Prólogo - prologos, “o que se diz antes”; termo
originalmente usado na tragédia grega para a parte anterior à entrada do coro e
da orquestra, na qual se enuncia o tema da peça. Tornou-se também sinônimo de
prefácio, preâmbulo, proémio, prelúdio e prormônio. Tornou-se prática comum no
séc.17 e 18, geralmente em verso um ator ou narrador declamava uma mensagem do
dramaturgo ao público sobre o tema. Passou tb a denominar um texto que precede
ou apresenta uma obra literária. Epílogo é uma parte de um texto, no
final de uma obra literária ou dramática, que constitui a sua conclusão.
·
Deus ex machina - expressão
latina com origens gregas, significa literalmente "Deus surgido da
máquina", utilizada para indicar uma solução inesperada, improvável e
mirabolante para terminar uma obra ficcional.
Pouco se sabe
sobre essa ideia, contudo muitas pessoas chegaram a considerar Eurípides como
machista, pois ele enaltecia demais as mulheres de uma forma que as vezes
exagerava no drama ou nas explicações para seus atos, fazendo com que as
mulheres pudessem parecer "loucas". Porém essa não era a intenção
dele, a real intenção era que elas parecessem bravas, admiráveis, inabaladas. [2]
Embora premiado
poucas vezes (cinco) nos concursos trágicos de Atenas (Dionísias Urbanas, Lenéias), (apesar de ter escrito cerca
de 92 peças), no final do séc 5 a.C.,
desfrutou de grande popularidade nos séculos subseqüentes, é atualmente muito
mais popular que Ésquilo ou Sófocles.
Os recursos dramáticos que utilizou em suas tragédias, notadamente as
posteriores a 420 a.C.,
influenciaram diversos gêneros dramáticos posteriores, entre eles a "Comédia Nova", o drama (e também o melodrama) e
a novela.
·
Festas Dionisíacas - celebrações cívico-religiosas, com concursos
teatrais, competições e sociabilização, o êxtase e do vinho, uma bebida na qual
se acreditava dar inspiração aos homens para a poesia e a música e aliviar suas
tensões cotidianas dentro da polis. Em Atenas, eram celebradas 5 festas em
honra a Dioniso: Lenéias (Gamélion, jan.-fev.), uma antiga festividade
dos gregos da Jônia,
ocorriam um sacrifício, uma procissão
e um concurso teatral. A
festa era em honra de Dionísio Lenaio. Lenaia provavelmente vem de lenai,
outro nome para as mênades, as mulheres adoradoras de Dionísio./ Antestérias
(Anthesterión, fev.-mar.), demarcavam o
início da primavera e seu nome provavelmente está relacionado ao florescimento
(anthos) / Grandes Dionísias ou Dionísias Urbanas (Elaphebolión,
março-abril), de maior prestígio no contexto das festas dionisíacas /
Oscofórias (Pyanopsion (2.ª quinzena de outubro), festival da colheita das
uvas, havia uma corrida de rapazes carregando ramos de parreira / Dionísias
Rurais (Posídeon, dez-jan),
realizadas provavelmente em 140 demos da Ática.
Acredita-se que essa festa teve início como um cortejo fálico em direção a um culto
que antecederia um sacrifício.
·
Comédia Nova – com Atenas derrotada na Guerra do Peloponeso a
produção teatral decaiu e peças antigas voltaram aos palcos, mas com pouca
vitalidade e a preferência passou da tragédia para a comédia, ora transformada
em uma farsa cômica sobre assuntos prosaicos, com destaque para o gênero do
mime. O único autor importante do período é Menandro,
que influenciou a comédia romana de Plauto
e Terêncio.
A Comédia Nova desenvolveu-se da morte de Alexandre
Magno em 323 até 260
a.C. A política já não era um dos temas explorados,
preferindo-se enredos que giravam em torno de identidades falsas, intrigas
familiares e amorosas.
· Melodrama - termo para diferentes significados a formas
artísticas diversas e distintas dentro dos meios de comunicação de massas e
arte. Originário do grego μέλος = canto ou música + δράμα = ação dramática,
refere-se, algumas vezes, a um efeito utilizado na obra, outras como estilo
dentro da obra e outras como gênero. Existe desde o séc.
17 principalmente na ópera, no teatro, na literatura, no circo-teatro,
no cinema,
no rádio
e na televisão.
Ele será melhor entendido se reconhecermos algumas de suas diferenças nos meios
ou formas artísticas em que ocorre.
Apresentou as
suas primeiras tragédias na Grande Dionisíaca de
445 a.C.,
mas só venceu a primeira competição em 441 a.C..
O enredo de suas
tragédias foi muitas vezes aproveitado por dramaturgos modernos, como Racine, Goethe e Eugene
O'Neil.
· Jean Baptiste Racine (1639 - 1699) - poeta trágico,
dramaturgo, matemático e historiador francês. É considerado, juntamente com Pierre
Corneille, como um dos maiores dramaturgos clássicos da França.
Entre suas peças: A Tebaida ou Os irmãos Inimigos (1664); Alexandre o Grande
(1665); Andrômaca (1667); Os Litigantes (1668); Britânico(1669); Berenice
(1670); Bazet (1672); Mitrídates (1673); Ifigênia em Áulida (1674); Fedra
(1677); Ester (1689); Atália (1691).
· Johann Wolfgang von Goethe (1749 - 1832) – autor, estadista e mais
importante escritor alemão. Também fez incursões pelo campo da ciência natural.
Como escritor, uma das mais importantes figuras da literatura alemã e do Romantismo europeu. Obras principais:
Fausto, Os Sofrimentos do Jovem Werther, Os Anos de Aprendizado de Wilhelm
Meister.
Obras
Eurípedes foi o
último dos três grandes autores trágicos da Atenas clássica (os outros dois
foram Ésquilo e Sófocles). Especialistas estimam que Eurípedes tenha escrito 95
peças, embora quatro delas provavelmente tenham sido escritas por Crítias.
Ele foi autor do maior número de peças trágicas da Grécia que chegaram até nós:
dezoito no total (de Ésquilo e Sófocles
sobreviveram, de cada um, sete peças completas). Hoje, é amplamente aceito que
Rhesus, tida como a décima nona peça completa, possivelmente não seja de
Eurípedes.[3]
Fragmentos, algumas substanciais, da maioria das outras peças também
sobreviveram.
Tragédias
- Alceste (438 a.C., segundo prêmio)
- Medeia (431 a.C., terceiro prêmio)
- Os Heráclidas (c. 430 a.C.)
- Hipólito (428 a.C., primeiro prêmio)
- Andrômaca (c. 425 a.C.)
- Hécuba (c. 424 a.C.)
- As Suplicantes (c. 423 a.C.)
- Electra [Há uma outra tragédia grega, homônima de Eurípedes (o Electra, de Sófocles)]. (c. 420 a.C.)
- Héracles (c. 416 a.C.)
- As Troianas (415 a.C., segundo prêmio)
- Ifigênia em Táuris (c. 414 a.C.)
- Íon (c. 413 a.C.)
- Helena (412 a.C.)
- As Fenícias (c. 410 a.C., segundo prêmio)
- Orestes (408 a.C.)
- As Bacantes e Ifigénia em Áulide (405 a.C., póstumas, primeiro prêmio)
Tragédias incompletas
As peças abaixo
chegaram até nós de forma fragmentada; algumas consistem apenas de um punhado
de linhas, embora alguns fragmentos sejam tão extensos que é possível uma
reconstrução tentativa [4]
- Telephus (438 aC)
- Cretans (c. 435 aC)
- Stheneboea (antes de 429 aC)
- Bellerophon (c. 430 aC)
- Cresphontes (c. 425 aC)
- Erechtheus (422 aC)
- Phaethon (c. 420 aC)
- Wise Melanippe (c. 420 aC)
- Alexandros (415 aC)
- Palamedes (415 aC)
- Sisyphus (415 aC)
- Captive Melanippe (412 aC)
- Andromeda (412 aC junto com Helena, dele)
- Antiope (c. 410 aC)
- Archelaus (c. 410 aC)
- Hypsipyle (c. 410 aC)
- Philoctetes (c. 410 aC)
Drama satírico
- O Ciclope (data desconhecida)
Drama apócrifo
Esta tragédia,
de acordo com a maior parte dos eruditos modernos, não é de Eurípides, e sim de
um tragediógrafo anônimo do séc.4
a.C..
- Reso (c. 350 a.C.)
Referências
1.
Segundo Pausânias (geógrafo), Eurípedes morreu e foi sepultado na Macedônia. Ver Descrição da Grécia,
1.2.2
2.
«Eurípides
- Dramaturgo Grego». www.turismogrecia.info.
3.
Halsall, Paul. "Ancient
History Sourcebook: 11th Britannica: Euripides
4.
Veja Euripides: Selected
Fragmentary Plays (Aris and Phillips 1995) ed. C. Collard, M.J. Cropp and
K.H. Lee.
Bibliografia
1.
Kovacs, D. Euripidea.
Leiden: Brill, 1994.
2.
Lefkowitz, M.R. The
Lives of the Greek Poets. London: Duckworth, 1981.
PEÇAS
Alceste é, na mitologia grega, uma princesa célebre pelo amor por
seu marido. Filha de Pélias, rei de Iolco, sua mãe foi Anaxíbia, filha de Bias ou Filômaca, filha de Anfião [1].
Seu pai a prometera àquele que fosse até ele num
carro puxado por leões e javalis [2]. Admeto, rei de Feras a quem Apolo estava comprometido a
servir durante um ano [Nota 1], executa a tarefa com a ajuda do deus e
ganha a mão de Alceste [2]. Porém, durante o sacrifício da festa de
casamento, Admeto se esquece de Ártemis, e encontra seu quarto
cheio de cobras [2]. Apolo sugere que ele tente apaziguar a deusa,
e consegue fazer com que as Parcas o poupem, com a
condição de que, no momento de sua morte, outro se sacrifique voluntariamente
por ele [2]. Admeto não se preocupa muito com essa condição
pensando em todos seus servos que lhe deviam favores e que gostavam muito dele
e fica muito alegre com a nova esperança. No momento de sua morte, porém,
ninguém se habilita, nem seus velhos pais; apenas Alceste oferece-se como substituta
[2]. Admeto tinha muito amor à vida, mas não
desejava mantê-la a tal custo. Porém a condição das Parcas fora satisfeita e
enquanto Admeto ia recuperando as forças, Alceste adoecia. Hércules, que passava por lá
ouve o lamento dos servos que não queriam perder uma querida senhora e tão
dedicada esposa, espera na porta do quarto de Alceste a chegada da Morte. Quando esta chega
Hércules a agarra e obriga-a a desistir de seu intento de roubar a vida de
Alceste. Assim ela vai se recuperando e pôde continuar a viver ao lado de seu
amado marido.
Seu filho Eumelo levou oito navios para
a Guerra de Tróia
[3]. Uma filha de Admeto (cuja mãe não é
mencionada), Perimele, se casou com Magnes, filho de Argos (filho de
Frixo) [4] o construtor do navio dos argonautas.
Referências
1. Pseudo-Apolodoro,
Biblioteca, 1.9.10
2. Pseudo-Apolodoro,
Biblioteca, 1.9.15
3. Higino,
Fabulae, XCVII, Os que atacaram Tróia, e o número e seus navios
4. Hesíodo,
Catálogo de Mulheres, Fragmento 16, citado por Antonino
Liberal, xxiii, Battys
Notas
· Apolo foi punido por Zeus
após ter matado os cíclopes que tinham feito os raios para Zeus, irritado
porque Zeus tinha usado um raio para matar Asclépio, ver Pseudo-Apolodoro, Biblioteca, 3.10.4
Medeia, data de 431 a.C. Nela foi apresentado
o retrato psicológico de uma mulher carregada de amor e ódio a um só tempo.
Medeia representa um novo tipo de personagem na tragédia grega, como esposa
repudiada e estrangeira perseguida, ela se rebela contra o mundo que a rodeia,
rejeitando conformismo tradicional. Tomada de fúria terrível, mata os filhos
que teve com o marido, para vingar-se dele e automodificar-se. É vista como uma
das figuras femininas mais impressionantes da dramaturgia universal.
"A Medeia, apresentada nas Grandes Dionísias de 431 a.C. justamente com mais
duas tragédias e um drama satírico que se perderam, não era a primeira peça de
Eurípides... Mas é talvez a mais antiga das tragédias conservadas." [1]
Considerada chocante para os seus contemporâneos,
Medeia foi a última das peças apresentadas no festival Dionísico no ano
de 2002. [2]
Não obstante, a peça continuou a fazer parte do repertório teatral de tragédias
e experimentou um interesse renovado com o surgimento do movimento feminista,
atendendo ao tema da decisão de uma mulher, Medeia, sobre a sua própria vida
num mundo dominado pelos homens. A peça manteve-se como a tragédia grega mais
frequentemente encenada ao longo do séc. 20. [3]
Produção e inovações estilísticas
Medeia teve a primeira encenação em 431 a.C. no festival de Dionísio.
Neste festival, todos os anos, três dramaturgos competiam entre si, cada um
escrevendo uma tetralogia, tendo Eurípides apresentado além de Medeia
três peças que se perderam: as tragédias Filotetes e Díctis e a sátira Theristai.
Em 431 a.C.,
a competição foi entre Eufórion (o filho do famoso dramaturgo Ésquilo), Sófocles
(o principal rival de Eurípides) e Eurípides. Eufórion ganhou, e Eurípides foi
o último classificado.
A forma da peça difere de muitas outras tragédias
gregas pela sua simplicidade: todas as cenas envolvem apenas dois atores,
Medeia e outra pessoa. Estes encontros servem para destacar o talento e a
determinação de Medeia em manipular poderosas figuras masculinas para atingir
os seus próprios fins. A peça é também a única tragédia grega em que um
assassino de familiares fica impune no final e o único sobre o assassínio de
crianças em que a acção é executada a sangue frio e não em estado de insanidade
temporária.[4]
Resumo
Medeia centra-se na vontade de vingança de
uma esposa contra o marido infiel. A história passa-se em Corinto algum
tempo depois da expedição dos Argonautas comandados por Jasão para reconquistar
o Tosão de Ouro (ou Velo de Ouro), durante a qual ele
conheceu Medeia. A peça começa com Medeia enraivecida com Jasão por este se
casar com Glauce, filha de Creonte (rei de Corinto). A Ama, ouvindo a
angústia de Medeia, teme o que ela poderá fazer a si mesma ou aos seus filhos.
Creonte, antecipando a ira de Medeia, chega e
revela a sua decisão de mandá-la para o exílio. Medeia implora o adiamento por
um dia da expulsão, acabando Creonte por concordar. A seguir Jasão chega para
explicar e justificar a sua aparente traição. Ele explica que não podia deixar
perder a oportunidade de casar com uma princesa, sendo Medeia apenas uma mulher
bárbara, mas espera um dia juntar as duas famílias e manter Medeia como sua
amante. Medeia e o Coro das mulheres coríntias, não acreditam nele. Ela
lembra-lhe que ela deixou o seu próprio povo por ele ("Eu sou a mãe dos
teus filhos. Para onde posso fugir, uma vez que toda a Grécia odeia os
bárbaros?"), e que ela o salvou e matou o dragão. Jasão promete
apoiá-la após seu novo casamento, mas Medeia rejeita-o: "Celebra as
tuas núpcias. Que ainda pode ser que, com o auxílio do deus, se diga que
casarás de maneira a chorares o casamento." [5]
A seguir Medeia encontra Egeu, rei de Atenas. Ele revela que apesar de
casado ainda não tem filhos e que visitou o oráculo de Delfos para obter
solução. Medeia conta-lhe a sua situação e implora a Egeu que a deixe ir para
Atenas, que ela o ajudará a acabar com a sua infertilidade. Egeu, inconsciente
do plano de vingança de Medeia, concorda.
Medeia, em seguida, fixada na ideia de assassinar
Glauce e Creonte, decide envenenar alguns mantos (uma herança de família e
presente do Deus do Sol Helios de quem ela é descendente) e uma coroa dourada, na
esperança de que a noiva não seja capaz de resistir a usá-los e,
consequentemente, ser envenenada. Medeia decide também matar os seus próprios
filhos, não porque as crianças tenham feito algo de mal, mas porque sente que é
a melhor forma de magoar Jasão. Ela pede a visita de Jasão mais uma vez e
maliciosamente pede-lhe desculpa por contrariar a decisão dele de casar com
Glauce. Quando Jasão parece convencido do arrependimento dela, Medeia convence
Jasão a permitir que ela dê as vestes a Glauce na esperança de que Glauce
interceda junto de Creonte para que este não obrigue os filhos ao exílio. Jasão
acaba por concordar e permite que os seus filhos sejam portadores e entreguem a
Glauce de presente as vestes e a coroa envenenadas.
A seguir, um mensageiro conta as mortes de Glauce
e de Creonte. Quando as crianças chegaram com as vestes e a coroa, de imediato
Glauce as vestiu alegremente e foi procurar o pai dela. Os venenos fizeram logo
efeito e Glauce cai no chão, morrendo rapidamente. Creonte tomou-a firmemente a
tentar salvá-la, mas ao entrar em contacto com as vestes e a coroa envenenadas
sucumbe também.
Enquanto se regozija com o sucedido, Medeia
decide dar um passo em
frente. Desde que Jasão a envergonhou para tentar começar uma
nova família, Medeia resolve destruir a anterior família dele, matando os
próprios filhos. Medeia hesita por momentos, quando considera a dor que as
mortes dos seus filhos lhe causará. No entanto, ela mantem a sua determinação
de causar a Jasão a maior dor possível e sai do palco com uma faca para matar
seus filhos. Enquanto o Coro lamenta a decisão dela, ouvem-se as crianças a
gritar. Jasão regressa para confrontar Medeia sobre o assassínio de Creonte e
Glauce e rapidamente descobre que os seus filhos foram mortos também.
Então Medeia aparece acima do palco com os corpos
de seus filhos na carruagem do Deus Sol Hélios.
Quando a peça foi realizada, nesta cena utilizaram o mecanismo
"mechane" normalmente reservado para a colocacao em cena de um deus
ou uma deusa. Medeia confronta Jasão, divertindo-se com a sua dor por ser
incapaz de pegar nos seus filhos de novo.
Medeia foge para Atenas, sendo o Coro que remata
a peça expressando a concretizacão da vontade dos deuses no sucedido:[6]
e muita coisa os deuses
fazem sem se contar.
Vimos o que se esperava
não se realizar.
P'ra o que não se sabia
o deus achar caminho;
Assim vistes o drama
terminar[7]
Temas
A caracterização de Medeia por Eurípides
apresenta as profundas emoções da paixão, do amor e da vingança. Medeia
é amplamente lida como um texto proto-feminista, na medida em que com simpatia
explora as desvantagens de ser uma mulher numa sociedade patriarcal,[8]
embora tenha também sido interpretada como uma expressão de atitudes misóginas.[9]
Em conflito com este tom de simpatia (ou reforçando uma leitura mais negativa)
está a identidade bárbara de Medeia, que iria hostilizar um público grego do
século V a.C..[10]
Inovação euripidiana e reacção
Embora a peça seja considerada uma das grandes
peças de teatro clássicas do ocidente, o público ateniense não reagiu muito
favoravelmente e concedeu-lhe apenas o terceiro prémio no festival de Dionísio
em 431 A.C..
Uma possível explicação pode ser encontrada num scholium
de manuscrito da peça, que afirma que tradicionalmente os filhos de Medeia eram
mortos pelos coríntios após a fuga dela;[11]
A aparente invenção por Eurípides do filicídio
de Medeia pode ter ofendido o seu público tal como aconteceu com o seu primeiro
tratamento do mito de Hipólito.[12]
No século IV a.C., a cerâmica de figuras vermelhas do sul
italiano engloba uma série de representações de Medeia que estão relacionadas
com a peça de Eurípides — sendo a mais famosa um vaso de Munique. No entanto,
essas representações diferem sempre consideravelmente das cenas da peça, ou são
demasiado genéricas para suportar qualquer ligação directa com a peça de
Eurípedes – isto pode refletir a apreciação sobre a peça. No entanto, o
carácter violento e poderoso da princesa Medeia e sua dupla natureza — amorosa
e destrutiva — tornou-se um padrão para os períodos posteriores da antiguidade
e parece ter inspirado inúmeras adaptações, assim se tornando um cânone para as
classes letradas.
Com a redescoberta do texto pelo teatro da Roma Augusta (a
peça foi adaptada pelos dramaturgos Quinto
Ênio, Lúcio Ácio, Ovídio, Sêneca, o jovem e Hosídio Geta, entre outros), e
depois na Europa do século XVI e à luz da crítica literária moderna do século
XX, Medeia tem provocado reações diferentes dos variados críticos e
escritores que tentaram interpretar as reacções da sua sociedade à luz dos
pressupostos genéricos do passado, proporcionando uma nova interpretação aos
seus temas universais de vingança e justiça
numa sociedade injusta.
Traduções
Das traduções do grego para o português, citam-se as
brasileiras de Flávio Ribeiro de Oliveira e de J. A. A. Torrano (ambas em
verso), e as portuguesas de Maria Helena da Rocha Pereira e de Cabral do
Nascimento (em prosa).
- EURÍPIDES. Medeia. Trad. Cabral do Nascimento. Lisboa: Inquérito, 1983;
- EURÍPIDES. Medéia. Trad. J. A. A. Torrano. São Paulo: HUCITEC, 1991;
- EURÍPIDES. Medeia. Trad. Maria Helena da Rocha Pereira. Coimbra: INIC, 1991;
- EURÍPIDES. Medéia. Trad. Flávio Ribeiro de Oliveira. São Paulo: Odysseus, 2007.
Produções e adaptações modernas
Teatro
- Fernanda Lapa adaptou e encenou Medeia no Teatro D. Maria II em 2006 [13]
Filmes
- Pier Paolo Pasolini adaptou a peça a filme em 1969 interpretado por Maria Callas no papel de Medeia.[14]
- Arturo Ripstein, realizador mexicano, adaptou o enredo ao seu filme de 2000 Así es la vida[15]
Televisão
- Lars von Trier dirigiu uma versão para televisão em 1988.[16]
- Theo van Gogh dirigiu uma versão em mini-série que foi para o ar em 2005, o ano a seguir ao seu assassinato. [17]
Os Heráclidas de Eurípides, feita por volta de 430 a.C.. A obra mostra a
fuga dos filhos de Héracles, conhecidos como Heráclidas, perseguidos por Euristeu, rei de Tirinto. É a primeira de duas
peças de Eurípides que sobreviveram até nossos dias e abordam o tema da família
do célebre herói da mitologia grega (a outra é Héracles
furioso).
Contexto
Euristeu, rei
de Tirinto,
fora responsável por muitos dos problemas de Héracles.
Para se prevenir contra uma possível vingança dos filhos do célebre herói,
Euristeu procurou assassiná-los; os Heráclidas
("filhos de Hércules") deicidiram então fugir, sob a proteção de Iolau, sobrinho de
Héracles e grande amigo seu.
Trama
A
peça se inicia no altar de Zeus em Maratona. Copreu, trabalhando
sob as ordens de Euristeu, tenta roubar as crianças a força. Demofonte, filho de Teseu toma o lado de Iolau, protegendo as
crianças. Copreu ameaça retornar com um exército. Os atenienses se oferecem
para proteger os Heráclidas, porém após verificar com os oráculos se descobre que só
teriam sucesso se sacrificassem a vida de uma nobre virgem. Demofonte explica
que gostaria de ajudar, porém sem sacrificar sua própria filha ou a de qualquer
outro ateniense. Uma filha de Hércules, Macária, se oferece como
sacrifício; realizada a oferenda, Hilo chega com reforços. Apesar de velho e
frágil, Iolau insiste em se juntar à batalha; lá, torna-se jovem,
milagrosamente, e captura Euristeu. Realiza-se um debate sobre a execução deste
prisioneiro de guerra, porém há uma lei contra isso; Euristeu então conta-lhes
sobre uma profecia de como seu espírito protegerá a cidade dos descendentes dos
Heráclidas se o matarem e enterrá-lo, o que é feito.
Hipólito é baseada no mito de Hipólito, filho de Teseu. É marcada pelos sentimentos e atitudes
extremas de seus personagens.
Hipólito (em grego: Ἱππόλυτος; "libertador dos
cavalos"[1]), na mitologia grega, é
o filho de Teseu e de Hipólita rainha das amazonas, que herdou da mãe o
gosto pela caça e pelos exercícios violentos. Adorava Ártemis e menosprezava Afrodite. Ela, enciumada,
vingou-se fazendo Fedra, segunda esposa de Teseu, apaixonar-se por seu enteado, jovem e
casto. Ao ser informado por uma serva do amor que lhe dedica a madrasta,
Hipólito repele-a com veemência. Rejeitada, Fedra suicidou-se deixando uma
mensagem a Teseu que acusa falsamente Hipólito de violentá-la. Teseu expulsa o
rapaz e invoca a punição de Posídon que provoca um acidente
com a carruagem de Hipólito. O jovem conduzia seu carro junto ao mar quando,
assustado por um monstro marinho, seus cavalos precipitaram-se pelas rochas
causando-lhe a morte. Enquanto Hipólito morre, ouve-se a voz de Ártemis, que
revela a verdade a Teseu. Esta tragédia, "Hipólito", foi escrita por Eurípedes
em 428 a.C..
Comentário:
Hipólito é uma tragédia escrita em versos para,
que assim, se apresente mais ritmo em sua forma. O poema trágico provoca no leitor
uma contínua emotividade.
Conhecemos as personagens através do diálogo entre elas, diálogos estes, que se passam em cinco atos, pressupondo um ar teatral à trama. O desenrolar dos fatos entre as personagens, assim como as palavras e termos eloquentes da obra nos incita a querer, não somente lê-la, mas também assisti-la.
Em todo o contexto nota-se um emaranhado de sentimentos entre as personagens que, acabam se estendendo, ao leitor. Marcada por uma iminente traição e um desfecho fatídico, é uma tragédia clássica, concretizando no leitor os sentimentos de ódio e tristeza.
As emoções desencadedas por esta obra nos fazem repensar sobre valores como a fidelidade, ciúmes, além de questões mundanas como a traição. Fazendo do amor um espetáculo nem sempre bem sucedido.
Traduções
em Português: Há
uma tradução em língua portuguesa feita por Cláudia Raquel Cravo da Silva.[1]
Referências: EURÍPIDES. Os Heráclidas. Edições 70, 2000.
Ligações externas
- Heracleidae - The Internet Classic Archive, tradução para o inglês de Edward P. Coleridge (1891)
- Heracleidae - Perseus Project, tradução para o inglês de David Kovacs (1994)
Andrômaca foi, na mitologia
grega, esposa de Heitor e filha de Imandra. Teve um filho chamado Astíanax.
Durante a Guerra de Tróia,
Aquiles
matou Heitor, enquanto Astíanax foi morto pelo filho de Aquiles, Neoptólemo
(Pirro). Este então tomou Andrómaca como esposa (ou serva e amante, segundo
outras fontes) e, juntamente com o irmão de Heitor, Heleno,
levou-a para o Epiro
[carece de fontes]. Os
filhos de Neoptólemo e Andrómaca foram Molosso,
Pielus e Pérgamo.[1]
Depois da morte
de Neoptólemo,[2]
ou segundo outras versões, após o casamento deste com Hermíone
(filha de Menelau
e Helena) [carece de fontes],
Andrómaca casou-se com Heleno, e teve com ele o filho Cestrinus.
Referências
Descrição da Grécia, 1.11.1, 1.11.2, por Pausânias (geógrafo)
Andrômaca (em grego antigo: Ανδρομάχη) é uma tragédia
ateniense
escrita por Eurípides. Conta a vida de Andrômaca como um escravo depois da
Guerra de Tróia
e o seu conflito com a esposa de seu mestre, Hermíone.
Hécuba foi escrita em 424 a.C.. A história se passa
após a Guerra
de Tróia,
antes dos gregos deixarem a cidade de modo semelhante a As Troianas. Mostra a dor e o
sofrimento da rainha Hécuba pela perda do filho e
da filha e a vingança pela morte do primeiro.
As Suplicantes possui 1234 versos, foi representada em Atenas pela
primeira vez entre -424 e -420. Nada sabemos sobre o concurso, a tetralogia ou
os adversários do poeta nesse ano.
Creonte, rei de Tebas, recusa-se a entregar os
corpos dos cinco chefes argivos que morreram tentando conquistar Tebas.
Adrasto, o único sobrevivente, e as mães e os filhos dos heróis mortos vêm a Atenas pedir a ajuda de Teseu. Teseu recusa, inicialmente, mas acaba por se envolver
em uma guerra contra os tebanos e, vencedor, recupera os corpos. Euadne, a
viúva de Capaneu, lança-se na pira em que o corpo do marido é cremado.
Dramatis personae
- Etra mãe de Teseu, filha de Piteu, rei de Trezena
- Coro mães de Argos
- Teseu rei de Atenas, filho de Etra e de Egeu
- Adrasto rei de Argos, único sobrevivente dos Sete
- Euadne viúva de Capaneu, um dos Sete
- Ífis herói argivo, pai de Euadne
- Atena deusa da sabedoria, protetora de Atenas
- Arauto tebano
- Mensageiro de Argos
Personagens
mudos: filhos dos Sete contra Tebas e outros seguidores do Coro.
A cena se passa
em Elêusis, perto de Atenas. No fundo, a entrada do templo de Deméter e, à frente, um
altar; à direita, um rochedo.
O protagonista
fazia o papel de Adrasto; o deuteragonista, o de Teseu e de Euadne; e o
tritagonista representava Etra,
o Arauto, o Mensageiro, Ífis e Atena.
Electra, na mitologia
grega, era filha de Agamemnon e Clitemnestra,
irmã de Orestes
,Crisotemi e Ifigênia. É a personagem principal de uma peça homónima de Sófocles
e de outra por Eurípides, além da paródia de Ésquilo.
Electra,
princesa de Micenas,
é filha de Agamemnon
e Clitemnestra,
sendo irmã de Orestes
e Ifigênia.
A rainha, sua mãe, atormentada pelo sacrifício de Ifigênia, une-se ao sobrinho
do esposo. Esse príncipe, Egisto, fora perseguido por Agamênon e privado de seus
direitos. Retornando a Micenas durante a guerra de Tróia, une-se à rainha, com
quem tem um filho, Aletes.
Os dois amantes aguardam o retorno do rei para consumar a vingança.
Após o
assassinato do pai por Egisto e Clitemnestra, Electra é poupada pela mãe. Mas
consome-se pela perda do pai, Agamemnon, a quem adorava. Pedia aos deuses que
lhe enviassem um meio de vingar sua morte. Suas preces serão atendidas por seu
irmão Orestes, a quem salvou da morte em criança. Prevendo
o que viria com a volta de Egisto, confiou-o em segredo a um velho preceptor,
que o levou para longe de Micenas. Por tudo isto, era tratada no palácio como
escrava.
Temendo que a
enteada tivesse um filho que um dia pudesse vingar a morte de Agamemnon, Egisto
fê-la casar-se com um pobre camponês. O marido, todavia, respeitou-lhe a
virgindade. Mas é chegado o dia do retorno de Orestes. A jovem princesa o
guiará até os assassinos de seu pai. Quando, após a morte de Egisto e
Clitemnestra, Orestes foi envolvido e "enlouquecido" pelas erínias,
ela colocou-se a seu lado e cuidou do irmão até o julgamento final no Areópago
de Atenas.
Após ser absolvido pelo voto de Atena, Orestes e Pílades, seu primo, partem
para Táurida
em busca de uma estátua de Ártemis. Lá encontraram Ifigênia como sacerdotisa de Ártemis.
Retornam todos a Micenas e, após as núpcias de Orestes com Hermíone,
Electra casa-se com Pílades.
O termo complexo de Electra é usado na psicanálise
como a contrapartida feminina do complexo de Édipo, para designar o desejo da
filha pelo pai. O termo foi proposto por Jung - contudo, Freud, por sua vez,
prefere usar o termo complexo de Édipo em ambos os casos, sem fazer distinção.
Héracles, de Eurípides, era muitas vezes chamada, antigamente, de
(Héracles Enlouquecido / Furioso), talvez por influência do Hercules Furens
de Sêneca. A peça data aproximadamente de -415 (Diggle, 1981, p. 116). Nada se
sabe dos outros dramas que o acompanharam, do concurso em que foi representado
pela primeira vez e da premiação obtida.
Durante a
ausência de Héracles, então envolvido com o décimo-segundo trabalho, um
usurpador mata o rei de Tebas, sogro do herói, e está a ponto de matar também
seus filhos, seu pai terreno e sua esposa quando Héracles retorna e salva
a situação. A seguir, porém, um acesso de loucura o compele a matar a esposa e
os filhos. Voltando a si, horrorizado, o herói está para se matar
quando chega o amigo Teseu,
rei de Atenas, que o encoraja a viver.
Note-se que o
mito, na versão de Eurípides,
tem uma cronologia diferente da habitual: o acesso de loucura do herói se dá depois,
e não antes dos seus famosos "doze trabalhos".
Dramatis personae
- Anfitrião antigo rei de Argos, pai de criação de Héracles
- Mégara filha de Creonte, falecido rei de Tebas, esposa de Héracles
- Coro velhos tebanos, antigos companheiros de Anfitrião
- Lico usurpador e atual rei de Tebas
- Héracles filho de Zeus e de Alcmena, filho de criação de Anfitrião
- Íris mensageira dos deuses ligada à deusa Hera
- Lissa a loucura personificada
- Servidor um mensageiro
- Teseu filho de Egeu, amigo de Héracles e rei de Atenas
Personagens
mudos: três crianças, filhos de Héracles, e servidores
de Lico.
Resumo
A tragédia tem 1428
versos, distribuídos por mais ou menos 57 páginas da edição de Diggle (1981),
na qual este resumo se baseia.
Anfitrião,
Mégara e os filhos de Héracles
se abrigam, como suplicantes, no altar de Zeus. Anfitrião relata que Héracles está ausente,
no Hades, em busca do
cão de três cabeças, e que Lico assassinou o rei Creonte e agora governa Tebas.
O tirano planeja matar os parentes de Creonte para evitar que se vinguem.
Mégara está perdendo a esperança, mas Anfitrião mantém a
confiança no filho (Prólogo, 1-106).
O coro lamenta a
situação (Párodo, 107-139). Lico aparece, menospreza Héracles e avisa que os
suplicantes esperam em vão por sua ajuda (1º Episódio, 140-315). Anfitrião refuta Lico,
elogiando o filho, e lamenta que os tebanos, antes ajudados por Héracles, não o ajudem
agora. Lico ordena que cerquem o altar de lenha e ateiem fogo; o coro lamenta
sua velhice e incapacidade de ajudar. Mégara diz a Anfitrião que ninguém
jamais retornou do Hades
e que prefere morrer de forma digna, não na fogueira (1º Episódio, 316-338). Anfitrião então pede a
Lico que matem a ele e a Mégara antes dos meninos e Mégara implora que lhe seja
permitido vestir adequadamente os filhos antes da morte; Lico concorda. Anfitrião, desesperado,
recrimina Zeus pela
injustiça (1º Episódio, 339-347).
O coro elogia Héracles e conta suas
façanhas; Anfitrião,
Mégara e as crianças saem do palácio, onde haviam entrado (1º Estásimo,
348-450). Mégara diz que estão prontos e recorda, tristemente, os planos de Héracles para os filhos;
implora que Héracles
se mostre, "mesmo como sombra"; Anfitrião implora a
ajuda de Zeus e se
despede do coro (2º Episódio, 451-513). Nesse momento, Héracles surge em pessoa
(2º Episódio, 514-522).
Informado da situação,
o herói mostra
espanto, indignação e determinação em acabar com Lico e seus asseclas; mas Anfitrião aconselha-o a
ter prudência e a aguardar no palácio, calmamente, pois o tirano viria
buscá-los daí a pouco. Héracles
abraça a família, conta que teve sucesso no Hades, que também ajudou
Teseu a sair de lá e
entra com eles no palácio (2º Episódio, 523-636). O coro exulta a juventude,
deplora a velhice e entoa uma ode vitoriosa. (2º Estásimo, 637-700). Lico aparece
e pergunta por Mégara e pelas crianças; Anfitrião, astutamente,
o induz a entrar no palácio (3º Episódio, 701-733). Enquanto o coro celebra,
ouvem-se os gritos e lamentos de Lico. Íris e Lissa aparecem e o coro
se assusta (3º Estásimo, 734-821).
As duas
divindades contam que Lissa
veio para enlouquecer Héracles.
Lissa entra no
palácio e ouvem-se os gritos de Anfitrião, enquanto o
coro lamenta (4º Episódio, 822-909). O mensageiro aparece e descreve com
detalhes macabros como, durante um sacrifício de purificação, Héracles enlouquecera e
matara Mégara e os três filhos; só não matara Anfitrião por que Palas Atena surgira e o fizera
dormir (4º Episódio, 910-1015); o coro se mostra horrorizado (4º Estásimo,
1016-1041).
Héracles acorda
nos braços de Anfitrião
e, diante da enormidade do que fizera, decide suicidar-se. Chega Teseu que, mesmo
informado de tudo, não renega o amigo; consegue dissuadí-lo e o convence a
viver e a se mudar para Atenas. Héracles pede a Anfitrião que sepulte a
esposa e os filhos, promete voltar para buscá-lo e sai, amparado por Teseu (5º Episódio,
1042-1426). O coro sai a seguir (Êxodo, 1427-1428).
As Troianas, de Eurípedes, foi
representada pela primeira vez em Atenas no concurso dramático das grandes
Dionísias de 415 a.C.
Nesta época também estava acontecendo a guerra do Peloponeso que era a guerra
entre Atenas e Esparta e o autor não deixou de fazer sua crítica
As Troianas retrata o final da Guerra de Tróia a partir do feminino.
Mostra o que ocorre com as prisioneiras troianas. Após a queda de Tróia, as
mulheres são escravizadas e aguardam o embarque para os novos lares. Taltíbio,
o arauto, anuncia que Polixena, filha de Hécuba, será sacrificada, e que seu
neto Astiánax será morto; posteriormente, seu corpo é entregue a Hécuba.
Helena, entre as cativas, tenta se reconciliar com Menelau enquanto espera o
embarque.
Em
As Troianas é contado o sofrimento das mulheres
troianas sobreviventes que, feitas escravas, aguardam o momento de embarcar nas
naus gregas. Além disso a peça mostra a intolerância grega ao matar brutalmente
Antiânax, um bebê, filho de Heitor. Em cena, as tendas das escravas e de longe
se vê a cidade queimando.
A peça tem como nós externos a guerra de Tróia,
mais precisamente o fim da guerra e a vitória dos Aqueus, a cidade está em
chamas sob as tochas gregas. Internamente o nó acontece quando Hécuba levanta
lentamente e declara que as naus gregas estão de partida, o que significa que
ela e as outras, agora, escravas irão embora e nunca mais verão umas as outras
assim como a grande Tróia.
Toda tragédia grega possui como características
os reconhecimentos e as peripécias. Neste trabalho monográfico pretende-se
deixar claro que, geralmente, após um reconhecimento acontece uma peripécia.
Hécuba reconhece a morte de sua filha Polixena e seu estado de tristeza se
intensifica caracterizando a peripécia. O reconhecimento de Andrômaca e Hécuba
com relação à morte iminente de Antiânax também gera maior tristeza em ambas.
O desenlace acontece após Hécuba entregar o corpo
do neto para que os soldados gregos façam o sepultamento e após a ordem, dada
aos soldados gregos, para que a cidade de Tróia seja totalmente destruída. Daí
em diante a matriarca troiana desespera-se e tenta suicídio, mas nada impede
seu fim, embarcar em uma nau grega para rumo à escravidão.
A peça de Eurípedes conta com diversos
personagens, característica do autor. A divindade presente é Poseidon que atua
juntamente com Palas Atena confabulando a volta tempestuosa dos gregos aos seus
lares, logo no início da peça.
O coro em As Troianas é formado pelas escravas
anônimas troianas e carrega o tom lamentoso da desgraça pela qual estão
passando.
Hécuba é a matriarca troiana, esposa do rei
Príamo e mãe de Heitor. Ela carrega o peso de ter sobrevivido em uma guerra que
matou todos homens que ela amava, o esposo Príamo, os Filhos, seu infante neto
Antiânax, e com a morte deles, soma-se o peso de ter Tróia em ruínas a seus pés
e tudo que isso significa e terá como consequência. Hécuba revela o lado cético
religioso de Eurípedes no momento que questiona Helena dizendo que a culpa era
dela, Helena, e não das deusas, vingativas, ao não terem sido escolhidas por
Páris no concurso de beleza proposto por Hera no casamento de Tétis. A Grécia
encontrava-se, na época de Eurípedes, justamente passando por essa
transformação social, o homem passa a ser culpado por seus erros e não pode
recorrer aos deuses para se justificar, era julgado pelos homens. A Grécia
entrava no período da razão e Eurípedes acreditava nisso.
Cassandra é filha de Hécuba e Príamo. Ela possui
o dom de prever o futuro, porém quando, no passado, se recusou a servir Apolo,
foi amaldiçoada por ele e desde então seus vaticínios são desacreditados por
todos, apesar de sempre falar a verdade. Na peça em questão, Cassandra entoa um
canto fúnebre nupcial para ela mesma e prevê as desgraças no retorno de
Agamemnon e Odisseu às suas casas.
Andrômaca é o exemplo que Eurípedes dá, de como
deve ser a mulher grega. Ela é mãe e esposa atenciosa, dedicada e sofre por
cada gota de sangue derramado pelo seu marido, filho e povo. O papel de boa,
carinho e amorosa mãe, fica claro no comovente discurso de adeus ao filho que
será jogado das muralhas de Tróia a conselho de Odisseu.
Helena é a contra-parte de Andrômaca, pois
abandonou o lar para viver com outro homem em outras terras, causando a guerra
de Tróia e culpando os deuses por tal fato. Ela acredita que tudo que aconteceu
fazia parte do destino e era a vontade de Afrodite, pois a deusa foi escolhida
por Páris em um concurso de beleza e tinha lhe prometido a mais bela mulher,
Helena.Embora Hécuba tenha deixado claro sua visão cética quanto a força dos
deuses sobre a vontade humana, Helena convence Menelau, seu marido, com seu
charme e beleza, a aceitá-la de volta ao invés de ser morta.Helena é o modelo
de cidadão que os gregos não mais aceitam, pois desta época em diante, o homem
deveria pagar por suas escolhas e ser julgado. Os deuses não são mais
responsáveis pelas faltas cometidas pelos homens.
Em Menelau, irmão de Agamemnon e esposo de
Helena, Eurípedes retrata o amor cego, a cobiça e até mesmo a resignação, pois
Menelau, apesar de poderoso e homem de razão, aceita Helena de volta, embora
tenha contestado seus atos e motivos que a levaram a cometê-los. Ele não
resistiu aos encantos de Helena.
Taltíbio
é, talvez, o personagem mais rico de Eurípedes na peça analisada aqui. A
característica mais marcante do autor coube a Taltíbio, o escravo grego
encarregado de mediar a situação das escravas e seus futuros senhores. Apesar
de não ser de origem nobre, é possível reconhecer todas as qualidades de um
herói neste personagem. Até Eurípedes, as virtudes eram guardadas aos heróis e
personagens de origem nobre, porém o poeta grego inovou o teatro ao trazer,
para cena, exemplos de cidadãos honrados de Atenas, mesmo eles não sendo de
nascimento nobre. Taltíbio se emociona ao dar notícias funestas para Hécuba e
as demais, ele condena o ato de seus senhores e ajuda, na medida do possível, a
conformar e confortar as escravas com suas palavras.
Ifigênia em Tauris, na mitologia
grega, era a filha mais velha de Agamemnon
e Clitemnestra,
irmã de Orestes
e Electra
e sobrinha de Menelau
e Helena. Princesa de Micenas
e símbolo de auto-sacrifício feminino. Seu nome significa "forte desde o
nascimento".[1] Eurípedes
morreu sem concluir as peças, então várias versões existem na tentativa de
concluí-la seguindo as inteções originais do autor. Acredita-se que Eurípedes, o jovem, filho
ou sobrinho de Eurípedes, concluiu a peça e a apresentou 400 a.C, onde ganhou o 1.º
lugar pela obra.
Família:
Agamemnon
e Clitemnestra
tiveram um filho, Orestes, e três filhas, Crisótemis, Ifigênia e Electra.[2]
Agamemnon e Menelau
eram filhos de Atreu,[3][4][5][6][7]
sendo sua mãe Aérope.[4][8]
ou, de acordo com outras versões, filhos de Plístene,
filho de Atreu.[9][10]
Clitemnestra era
filha de Tíndaro
e Leda;
Leda teve um filho e uma filha de Zeus, Pólux
e Helena, e um filho e uma filha de Tíndaro, Castor
e Clitemnestra.[11]
Clitemnestra havia sido casada com Tântalo, filho de Tiestes;
tanto Tântalo quando o filho, recém nascido, do casal foram assassinados por
Agamemnon, que, em seguida, desposara Clitemnestra.[12]
A briga entre os
descendentes de Atreu
e do seu irmão Tiestes
começou com o adultério de Aérope, esposa de Atreu, com Tiestes.[13] Em
seguida, Atreu assassinou os filhos de Tiestes, e deu para ele comer os filhos,
revelando, ao final, quem ele estava comendo.[14]
Tiestes engravidou sua própria filha, com quem teve um filho, Egisto;
Egisto matou Atreu e entregou Micenas a Tiestes.[15]
Tíndaro removeu Tiestes do trono de Micenas, entregando a cidade a Agamemnon, e
casando suas duas filhas Clitemnestra e Helena, respectivamente, com Agamemnon
e Menelau.[12]
Enredo Iphigenia em Tauris:
Orestes procurou
o Oráculo de Delfos para descobrir como se livrar
das chicotadas das Fúrias. O oráculo revelou que ele só seria libertado caso
conseguisse se apossar de uma estátua de Ártemis em Táurida. Seu amigo
Pílades o acompanha nessa viagem e ambos são protegidos por Atena por sua
coragem. Quando chegam, Orestes tem um ataque de loucura e tenta matar os
bezerros dos camponeses acreditando que eles são as Fúrias que o atormentam.
Ambos são capturados e levados para serem sacrificados pela suma sacerdotisa
virgem no templo de Ártemis.[17]
Ifigênia e
Orestes não se reconhecem imediatamente, mas durante os ritos pré-sacrifício,
ao descobrir que ele é de Micenas, questina-o se Orestes ainda está vivo. Ele
diz que sim, então ela propõe que poupará sua vida caso ele entregue uma carta
a Orestes. Orestes pede a seu amigo que retorne a Micenas para entregar a carta
deixando lá para ser sacrificado sozinho, mas este se recusa e revela a
identidade de Orestes. Após esclarecimentos, Ifigênia planeja uma fuga com sua
sagacidade e engana os outros sacerdotes dizendo que o estrangeiro não serve
como sacrifício por ser um matricida e por seu amigo ser cumplice e que agora
deverá levar a estátua maculada para ser purificada no mar. Com a ajuda de
Atenas os três conseguem fugir de volta para Micenas e
derrotar quem os perseguia. Quando chegam ao palácio, Electra reencontra
Ifigênia que conta o ocorrido. Quando menciona que deveria sacrificar o irmão
Electra ameaça matar sua irmã, mas Orestes se revela e a salva do mal
entendido. Orestes recupera sua sanidade e se torna rei, casando-se com sua
prima Hermíone.
Ifigênia se casa com Pílades e segue como sacerdotisa de Ártemis onde vivem em
paz.[17]
O destino da estátua de Ártemis ainda é disputado por mais de cinco cidades diferentes.
Existem relatos de que por muitos anos diversos rituais onde eram aplicadas
chicotadas em jovens até cobrir a estátua de sangue foram feitos diante dessas
estátuas na tentativa de agradar a deusa.
Ion acredita-se ter sido
escrita entre 414 e 412 a.C.
Segue o orfão Ion na
descoberta de suas origens.
Enredo:
Creusa, filha de Erechtheus, era uma nobre nativa de Atenas. O deus Apolo a violou em uma caverna;
lá deu à luz ao filho e pretendia
matá-lo por exposição (by
exposure). Ela mantém tudo isso em segredo. Muitos
anos depois, ela estava perto do fim da idade de ter filhos, e até agora não
era capaz de ter um filho com seu marido Xuthus, um tessaliano e filho de Aeolus. Então eles viajaram para Delfos para procurar um sinal dos oráculos.
História:
Do
lado de fora do templo de Apolo em Delfos, Hermes recorda o momento em que Creusa, filha de Erectheus, foi violada por
Apolo em uma caverna em
Long Rocks sob a Acrópole. Creusa secretamente deu à luz uma
criança, a quem ela saiu em uma cesta, junto com algumas bugigangas, esperando
que ele fosse devorado por bestas. Apolo enviou Hermes para levar o menino a
Delfos, onde cresceu como atendente no templo. Creusa, entretanto, casou-se com
o Xuthus estrangeiro, filho de Aeolus, filho de Zeus. Xuthus ganhou Creusa, ajudando
os atenienses em uma guerra contra os calcidios. Xuthus e Creusa vieram a
Delfos para perguntar se eles podiam ter filhos. Hermes diz que Apolo dará ao
menino, logo chamado Ion, a Xuthus que o levará para casa em Atenas, onde será
reconhecido por sua mãe.
Hermes
entra em um bosque arborizado quando Ion chega para começar suas tarefas
matinais. Quando Ion varre os degraus do templo com uma vassoura de louro, ele
canta o louvor do deus que é como um pai para ele. Seus devaneios são
perturbados por pássaros, que ele se afasta com suas flechas, embora sem uma
ponta de arrependimento.
O
Coro, formado por donzelas atenienses, chega ao templo e se maravilha com os
trabalhos de pedra que representam lendas antigas. Eles se identificam para Ion
como servas dos governantes atenienses e logo acham sua amante chegando nas
portas do templo.
Creusa
apresenta-se a Ion como a filha de Erectheus. Ion está impressionado, pois está
familiarizado com as velhas histórias sobre sua família. A menção casual de Ion
de Long Rocks surpreende Creusa, mas ela não revela nada de seu passado. Ela
diz que ela se casou com um estrangeiro, Xuthus, que a ganhou como prêmio por
ajudar os atenienses na batalha. Eles estão aqui para perguntar sobre ter
filhos. Ion se apresenta como um escravo órfão que foi criado pela sacerdotisa
de Apolo. Quando Creusa pergunta se ele já tentou encontrar sua mãe, ele diz
que não tem sinal disso. Movido pelo pensamento de sua mãe, Creusa diz a Ion
que ela veio antes de seu marido para questionar o oráculo em nome de "um
amigo" que teve uma criança de Apolo, que ela abandonou. Ela veio, ela lhe
diz, perguntar ao deus se o filho de sua amiga ainda está vivo. Ele teria
aproximadamente sua idade agora. Ion a adverte para abandonar a consulta, dizendo
que ninguém ousaria acusar o deus de tal ação em seu próprio templo. Ao ver que
Xuthus se aproximava, Creusa pede a Ion para não revelar sua conversa. Xuthus
chega e expressa confiança de que ele receberá boas notícias do oráculo. Ele
envia Creusa com galhos de louro para fazer as voltas dos altares externos e
entra no santuário. Depois que ambos saem, Ion questiona como os deuses, que
punem a maldade entre os mortais, podem se comportar com comportamentos
abusivos. Antes de sair para acabar com suas tarefas, ele aconselha
indignadamente os deuses a não violar mulheres jovens só porque podem.
Enquanto
Xuthus está dentro, o Coro dos servos de Creusa reza para Athena e Artemis,
lembrando as alegrias da fertilidade e criando filhos. Recordando a história
das filhas de Cecrops e Aglauros, eles concluem que as crianças nascidas dos
mortais por deuses estão fadados à má sorte.
Ion
retorna quando Xuthus emerge do santuário interno. Ele chama o jovem "meu
garoto" e corre para abraçá-lo. Ion é cauteloso e em um ponto ele tira o
arco. Xuthus explica que o deus lhe disse que a primeira pessoa que ele
encontrou quando ele saiu do santuário seria seu filho. Quando Ion questiona
quem sua mãe pode ser, Xuthus diz que talvez ela fosse alguém que conheceu em
um festival de Bacchic. Ion aceita Xuthus como seu pai, mas pensa com saudade
da mãe que ele deseja conhecer. Os servos de Creusa desejam que sua amante
possa compartilhar a felicidade. Xuthus propõe que Ion volte para Atenas com
ele, mas o jovem está relutante em assumir o papel de "filho bastardo de
um pai importado". Ele compara a felicidade dos reis a uma fachada externa
de prosperidade que mascara o medo e a suspeição interior. Quando ele diz que
ele preferiria permanecer como assistente do templo, Xuthus interrompe a
conversa com "O suficiente disso. Você deve aprender a ser feliz".
Ion volta com ele como um convidado da casa. Quando for a hora certa, ele
providenciaria que Ion seja seu herdeiro. Quando ele sai para oferecer
sacrifício, ele nomeia o menino Ion porque ele o conheceu 'saindo' e diz que
ele providencie um banquete para celebrar sua partida de Delfos. Ele impõe o
coro para não revelar nada do que aconteceu. Ion, relutantemente, concorda em
ir a Atenas, mas ele deseja conhecer sua mãe desconhecida e teme que ele não seja
bem recebido.
O Coro
das criadas de Creusa, suspeitando de traição, rezam pela morte de Xuthus e
Ion, a quem consideram intrusos.
Creusa
volta ao portão do templo acompanhado pelo tutor idoso de seu pai. Percebendo
que algo está errado, Creusa pressiona suas criadas para contar o que sabem.
Eles revelam que Apolo deu Ion a Xuthus como um filho enquanto ela permanecerá
sem filhos. O antigo tutor especula que Xuthus descobriu que Creusa era
estéril, gerou a criança por um escravo e o entregou a um delfo para criar. O
velho diz a Creusa que não deve permitir que o filho bastardo de um estrangeiro
herde o trono. Em vez disso, ela deve matar seu marido e seu filho para evitar
mais traição. Ele se ofereceu para ajudá-la. Os criados prometem seu apoio.
Com
suas esperanças no deus completamente destruído, Creusa finalmente revela o que
Apolo fez com ela, em uma monografia cantada. Ela descreve como ele veio sobre
ela enquanto ela estava reunindo flores - um deus brilhante que a agarrou pelos
pulsos e a arrastou para uma caverna enquanto gritava por sua mãe. Ela deu à
luz um filho e deixou-o na caverna com a esperança de que o deus o salvasse.
Agora ela percebe que Apolo abandonou completamente ela e seu filho.
O
tutor encoraja-a a vingar-se incendiando o templo de Apolo, mas ela se recusa.
Quando ela também se recusa a matar seu marido, o tutor sugere que ela mate o
jovem. Creusa concorda, dizendo-lhe que ela tem duas gotas do sangue de Gorgon que Erichthonius recebeu de Athena. Uma
gota mata e as outras curam. Ela dá a gota mortal ao tutor para envenenar Ion
durante seu banquete de despedida, então eles seguem seus caminhos separados.
O Coro
reza pelo sucesso do enredo, temendo que, se ele falhar, Creusa vai ter sua
própria vida antes de permitir que um estrangeiro tome conta do domínio
ateniense. Eles condenam a ingratidão de Apolo que deu preferência a Xuthus
sobre sua amante.
Após a
música do Coro, chega um mensageiro, anunciando que a trama falhou. Ele diz a
eles (em um discurso tipicamente Euripidiano) que uma multidão de Delfos está
procurando por Creusa para apedrejá-la até a morte. Ele diz que Xuthus
providenciou para que Ion ofereceu um banquete sob uma tenda, enquanto ele saiu
para oferecer sacrifício. O mensageiro descreve a tenda do banquete, numa ekphrasis detalhada. O mensageiro então relata como
o plano deu errado. Ingratiando-se com a multidão, o antigo tutor assumiu o papel
de mordomo de vinho e colocou o veneno no copo de Ion como planejado; mas,
assim como eles estavam prestes a beber, alguém fez um comentário de mal-agouro
e Ion convidou a companhia a derramar seus copos. Quando um bando de pombas
bebeu o vinho derramado, todos sobreviveram exceto a pomba que bebia o vinho
destinado a Ion. O pássaro morreu em tormento, revelando a trama. Ion agarrou o
velho tutor, encontrou o frasco e forçou uma confissão dele. Então, ele trouxe
com sucesso uma acusação de assassinato contra Creusa em um tribunal
rapidamente reunido por líderes de Delfos. Agora toda a cidade está procurando
por ela.
O coro canta uma música antecipando sua morte nas mãos da multidão de Delfos.
Creusa
então entra, dizendo que ela é perseguida pela multidão de Delfos. Com o
conselho de seus servos, ela busca santuário no altar de Apolo, assim como Ion
chega com espada na mão. Cada um acusou o outro de traição. Ele diz que ela
tentou matá-lo; ela diz que ele tentou derrubar a casa de seus pais.
À
medida que Ion ataca as leis que protegem os assassinos condenados (Asylum), a
sacerdotisa pitoniza emerge do templo. Aconselhar Ion a ir a Atenas com seu
pai, ela mostra a cesta em que foi encontrado. Ela manteve segredo todos esses
anos, mas agora que o pai de Ion foi revelado, ela pode dar a ele para ajudar
na busca de a mãe dele. Ion promete viajar por toda a Ásia e a Europa para
buscá-la. Ela aconselha ele a começar sua busca em Delfos. Enquanto
ele espreita a cesta, Ion se maravilha com o fato de que não mostra nenhum
sinal de idade ou decadência. Reconhecendo a cesta, Creusa sabe imediatamente
que Ion é seu filho. Ela sai do altar para abraçá-lo mesmo sob o risco de sua
vida. Quando ela anuncia que ela é sua mãe, Ion a acusa de mentir. Na tentativa
de desacreditá-la, ele a desafia a nomear o que está na cesta. Existe uma
tecelagem inacabada com uma Gorgona no centro, cercada de serpentes como uma
égide; um par de serpentes douradas em memória de Erichthonius, formado em um
colar; e uma grinalda de ramos de oliveira que ainda deveria ser verde.
Convencido, Ion voa para os braços de acolhimento de Creusa - seu filho morto
há muito tempo voltou vivo.
Abraçando
seu filho e herdeiro, Creusa expressa sua alegria. Não há chance mais
improvável do que isso, diz Ion, do que descobrir que você é minha mãe. Já não
tenho filhos, ela diz a ele. Quando Ion questiona-a sobre seu pai, Creusa
diz-lhe com um pouco de vergonha que ele é o filho de Apolo e que,
relutantemente, o abandonou em uma caverna deserta para ser presa de pássaros.
Ao celebrar a mudança de sorte, Ion leva-a de lado para perguntar se talvez ela
o concebeu com um pai mortal e inventou a história sobre Apolo. Afinal, Apolo
disse que Xuthus era seu pai.
Convencido
de que apenas Apolo pode dizer-lhe com certeza quem é seu pai, Ion começa no
santuário para enfrentar o deus, mas ele é parado pela aparência da deusa
Athena no telhado do templo (um exemplo de deus
ex machina). Athena explica
que Apolo achou melhor não se mostrar pessoalmente, para não ser culpado pelo
que aconteceu, mas enviou a Athena em seu lugar para dizer a Ion que ele era o
pai de Ion e Creusa é sua mãe. Athena diz a Ion que Apolo os uniu de propósito,
para fornecer a Ion um lugar apropriado em uma casa nobre. Apolo planejava que
Ion descobrisse a verdade depois que ele foi para Atenas, mas, como o enredo
foi descoberto, ele decidiu revelar o segredo aqui para evitar que ambos
matassem o outro. Athena então diz a Creusa que estabeleça Ion no antigo trono
ateniense, onde ele será famoso em toda a Hellas. Ele e seus meio-irmãos
estabelecerão as raças jônicas, doriana e aquéia. Apolo, conclui a deusa,
conseguiu todas as coisas bem. Ao sair, Athena ordena que não digam a Xuthus,
mas deixá-lo pensar que Ion é seu filho.
O
testemunho da deusa convence Ion, que afirma que Apolo é seu pai e Creusa sua
mãe. Por sua parte, Creusa jura que agora ele louvará Apolo porque ele devolveu
o filho. Os deuses podem ser lentos para a ação, observa Athena, mas no final
eles mostram sua força.
Recepção
Embora Ion não esteja entre as peças mais
reverenciadas de Eurípides, alguns críticos citaram sua não convencionalidade
no contexto da tragédia grega. Em The Classical Quarterly, Spencer Cole defendeu o
argumento de outro estudioso de que a peça é "auto-referencial em um grau
incomparável em qualquer outro lugar em Eurípides", e escreveu que Ion era
o trabalho em que a vontade da tragédia de inovar era mais evidente. [1]
Helena foi produzida pela
primeira vez em 412 aC
para a Dionísia em uma trilogia que também
continha a perdida Andromeda de Euripides. A peça tem muito em comum com Iphigenia
em Tauris, uma das obras posteriores do dramaturgo.
Quadro Histórico
Helen foi escrita logo após a expedição siciliana,
em que Atenas
sofreu uma enorme derrota. Ao mesmo tempo, os sofistas - um movimento de
professores que incorporaram a filosofia e a retórica em sua ocupação -
começaram a questionar valores tradicionais e crenças religiosas. Dentro do
quadro da peça, Euripides condena a guerra de forma espantosa, considerando que
ela é a raiz de todo mal.
Background
Cerca de trinta anos antes desta peça, Herodoto
argumentou em suas Histórias que Helena
nunca havia chegado a Tróia, mas estava no Egito durante toda a Guerra de
Tróia. A peça Helena conta uma
variante desta história, começando sob a premissa de que ao invés de fugir para
Tróia com Paris, ela foi realmente levada para o Egito pelos deuses. A Helena
que escapou com Paris, traindo seu marido e seu país e iniciando o conflito de
dez anos, era realmente um eidolon, um tipo de fantasma. Depois que foi prometida a mulher mais bonita do
mundo para Páris por Afrodite e ele a julgou mais justa do que as suas deusas
Athena e Hera, Hera ordenou a Hermes que substituísse Helena, prêmio de Paris,
com uma falsificação. Assim, a verdadeira Helena tem ficado lânguida no Egito
há anos, enquanto os gregos e os troianos também a amaldiçoam por sua suposta
infidelidade.
No Egito, o rei Proteus, que havia protegido Helena, morreu. Seu
filho Theoclymenus, o novo rei com uma propensão para matar gregos, pretende se
casar com Helena, que depois de todos esses anos continua a ser leal ao marido
Menelaus.
Enredo
Helen recebeu a palavra do exilado grego Teucer de que Menelaus nunca voltou para a Grécia de Tróia e
está provavelmente morto, colocando-a na posição perigosa de estar disponível
para Theoclymenus para se casar, e ela consulta a profetisa Theonoe, irmã de
Theoclymenus, para descobrir o destino de Menelau.
Seus medos são dissipados quando um estranho chega
ao Egito e acaba por ser o próprio Menelaus, e o casal seprado há muito tempo
se reconhece. Em primeiro lugar, Menelaus não acredita que seja a verdadeira
Helena, uma vez que ele escondeu o Helena que ele ganhou em Tróia em uma
caverna. No entanto, a mulher com quem ele naufragava era, na realidade, apenas
um mero fantasma da verdadeira Helena. Antes de começar a guerra de Tróia,
ocorreu um julgamento, em
que Paris estava envolvido. Ele deu à deusa Afrodite o prêmio
da mais bonita desde que o subornou com Helen como noiva. Para se vingar de
Paris, as deusas restantes, Atena e Hera, substituíram o verdadeiro Helena por
um fantasma. No entanto, Menelaus não sabia nada. Mas, felizmente, um de seus
marinheiros entra para informá-lo de que a falsa Helena desapareceu no ar.
O casal ainda deve descobrir como escapar do
Egito, mas, felizmente, o rumor de que Menelaus morreu ainda está em circulação. Assim,
Helen diz a Theoclymenus que o estranho que desembarcou era um mensageiro para
lhe dizer que seu marido estava realmente morto. Ela informa ao rei que pode se
casar com ele assim que ela realizou um enterro ritual no mar, liberando-a simbolicamente
de seus primeiros votos de casamento. O rei concorda com isso, e Helena e
Menelaus usam essa oportunidade para escapar no barco dado a eles para a
cerimônia.
Theoclymenus fica furioso quando sabe do truque e
quase assassina sua irmã Theonoe por não lhe dizer que Menelaus ainda estava
vivo. No entanto, ele é impedido pela intervenção milagrosa dos demi-deuses
Castor e Polydeuces, irmãos de Helena e os filhos de Zeus e Leda.
As Fenícias
foi escrita por volta de 411 a.C.. A peça propõe um outro enfoque à saga de Édipo,
escrita por Sófocles.
Conta a história
da maldição da família de Édipo. Segundo a peça, tudo começou quando Cadmo, bizavô de Laio, pai de Édipo,
chegou à Tebas trazendo uma maldição lançada pelo deus Ares. O oráculo de Apolo disse que Laio
não poderia ter um filho homem, devido à maldição. Mas, mesmo assim, ele
casou-se com Jocasta
e, não resistindo à força do desejo, numa das idas ao seu leito, teve Édipo.
Com medo da maldição, ele deixou o filho numa encosta do cume do monte Citéron. Lá, a criança foi achada pelos
pastores e levado à casa de um rei de outras terras, o rei Pôlibo, que cuidou dele a vida toda,
junto com sua esposa.
Certo dia, já
crescido, Édipo quis saber sobre a sua descendência verdadeira, e foi ao
oráculo de Apolo. Lá encontrou Laio, que também queria saber o paradeiro de seu
filho abandonado. E, após um desentendimento, e sem saber que Laio era seu pai,
Édipo o matou.
Neste mesmo
período, a Esfinge
castigava com crueldade a cidade de Tebas e, por isso, Creonte, irmão
de Jocasta, ofereceu a coroa e a mão de sua irmã a quem pudesse decifrar o enigma da
Esfinge e acabar com ela. Por um triste acaso, foi Édipo que interpretou o seu
canto e casou-se com a própria mãe.
Desse casamento
nasceram quatro filhos: dois homens, Etéocles
e Polinices,
e duas meninas, Ismene e Antígona.
E quando Édipo descobriu que tivera filhos e irmãos com sua mãe, enlouquecido
por esta desventura, ele perfurou os próprios olhos, e lançou uma maldição aos
filhos, dizendo que eles se matariam num duelo pelo palácio. Os dois irmãos, temendo
que os deuses cumprissem esta maldição paterna, convencionaram que o mais novo,
Polinices, deixasse a pátria pelo período de um ano, e que o trono ficasse com Etéocles.
Após este período, ele voltaria para o revesamento do poder, com iguais
direitos. Só que passado este prazo, Etéocles se recusou a entregar o palácio,
expulsando novamente Polinices da pátria. Desarvorado, Polinices juntou-se ao
rei de Argos, o
rei Ádrasto,
e reuniu muitos soldados para enfim invadir Tebas e tomar o seu trono devido.
Antes, Jocasta propôs uma trégua, onde os filhos pudessem resolver a querela.
Só que após muito argumentarem, os dois irmãos se revoltaram e quase se mataram
no próprio palácio, fazendo com que Polinices fosse novamente embora e ambos se
preparassem para o duelo final.
Antes de sair,
Etéocles passou algumas instruções a Creonte, entre elas que o cadáver de
Polinices nunca fosse enterrado em Tebas, recebendo a pena de morte quem
tivesse esta audácia, amigo ou inimigo. Entre outras decisões, Creonte ficaria
com o trono caso ele não continuasse vivo. Durante este acontecimento, o
adivinho Tirésias
disse que o jovem Meneceu, filho de Creonte, deveria morrer para salvar Tebas,
oferecendo o seu sangue pela salvação da pátria. E assim foi feito.
Etéocles e
Polinices se encontraram para um duelo sangrento, que durou muito tempo, e que
resultou na morte dos dois. Jocasta, avisada por um mensageiro, correu até o
campo de batalha com sua filha Antígona, para tentar evitar esta tragédia,
chegando tarde demais. Vendo aquela cena horrenda, ela pegou o punhal de um dos
filhos e atravessou em seu pescoço, matando-se também. Antígona, desesperada,
voltou ao palácio para contar a seu pai, Édipo, as tragédias que haviam
ocorrido. Édipo recebeu a notícia com muita dor.
Creonte,
destruído por ter perdido o filho, soube que também perdera a irmã, e que o rei
Etéocles e seu irmão Polinices já não mais existiam. Com isso, sendo assim o
novo rei, expôs as determinações que Etéocles havia transmitido a ele: Antigona
deveria se casar com seu filho Hêmon, Édipo deveria
ser expulso da pátria, e o corpo de Polinices não deveria ser sepultado e sim
entregue às aves carniceiras. Antígona ficou revoltada com a decisão e disse
que iria enterrar o seu irmão. Creonte decretou a morte de Antígona, caso ela
consumasse este feito.
Édipo, mandado
para o exílio, foi acompanhado por Antígona e, em seus momentos finais,
refletiu que ele, um siples mortal, mesmo tendo derrotado a feroz Esfinge,
tendo sido um herói para Tebas e feito só coisas boas, foi incapaz de mudar o
seu destino, não tendo domínio sobre sua vida, estando vulnerável apenas a
acatar as decisões dos deuses.
Orestes de (408 a.C.) e trata os
acontecimentos decorrentes da morte por Orestes da mãe dele Clitemnestra.
Contexto
Tendo
concordado com o conseho do deus Apolo, Orestes matou a sua mãe Clitemnestra
para vingar a morte do pai dele, Agamemnon,
morto pela esposa. Apesar da anterior profecia de Apolo, Orestes passa a ser
atormentado pelas Erínias, ou Fúrias, pelo sentimento de culpa do seu matricídio.
A única pessoa capaz de acalmar Orestes da sua loucura é a sua irmã Electra.
Para complicar mais a situação, uma importante facção política de Argos pretende punir
com a morte Orestes pelo seu crime. A única esperança de Orestes para salvar a
sua vida reside no seu tio Menelau, que havia regressado com Helena após uma ausência de
dez anos na guerra de Tróia e mais alguns anos a acumular riqueza no Egito. Na
cronologia do que aconteceu a Orestes, esta peça situa-se após os
acontecimentos relatados em peças como a Electra de Eurípides ou a Coéforas
de Ésquilo,
e antes dos acontecimentos contidos em peças como a Eumênides de Ésquilo e Andrômaca de Eurípides.
Enredo
A
peça começa com um monólogo de Electra que descreve o enquadramento geral e os eventos que
levaram até aquela situação, estando Orestes a dormir junto de si. Pouco
depois, Helena sai do palácio sob o pretexto de que deseja fazer uma oferenda
no túmulo de sua irmã Clitemnestra. Após a saída de Helena, um coro de mulheres
de Argos entra para ajudar a avançar o enredo. Então Orestes, ainda
enlouquecido pelas Fúrias, acorda.
Menelau chega ao
palácio e ele e Orestes discutem o assassinato e a loucura resultante. Chega
então Tíndaro,
avô de Orestes e sogro de Menelau, que repreende severamente Orestes, levando a
uma conversa entre os três homens sobre o papel dos seres humanos na aplicação
da justiça divina e da lei natural. Quando sai, Tíndaro adverte Menelau de que
este vai precisar do ancião como aliado. Orestes suplica a Menelau, esperando
ganhar a compaixão que Tíndaro não lhe concederia, na tentativa de convencê-lo
a deixá-lo falar perante a assembleia dos homens de Argos. No entanto, Menelau,
acaba por evitar o seu sobrinho, optando por não comprometer o seu poder ténue
junto dos gregos, que o culpam a ele e a sua esposa pela Guerra de Tróia.
Pílades, o
melhor amigo de Orestes e o seu cúmplice no assassinato de Clitemnestra, chega
depois de Menelau ter saido. Ele e Orestes começam a formular um plano,
acusando políticos e líderes populares que manipulam as massas para resultados
contrários ao melhor interesse do estado. Orestes e Pílades saem depois para
que possam apresentar o seu caso perante a assembleia da cidade, num esforço
para salvar Orestes e Electra da execução, esforço que resulta infrutífero.
Sendo certa a
sua execução, Orestes, Electra e Pílades formulam um plano de vingança contra
Menelau por lhes virar as costas. Para infligir o maior sofrimento, eles
planeiam matar Helena e a sua filha, Hermione. No
entanto, quando vão para a matar, Helena desaparece. Na tentativa de executar o
seu plano, um escravo frígio de Helena escapa do palácio. Orestes pergunta ao
escravo porque lhe deve poupar a vida e o escravo suplica a Orestes que não o
mate. Orestes é conquistado pelo argumento do frígio de que, como homens
livres, os escravos preferem a luz do dia do que a morte. De seguida, Menelau
entra levando a um enfrentamento entre ele e Orestes, Electra e Pílades, que
com sucesso capturaram Hermione.
Quando está
prestes a ocorrer novo derramamento de sangue, Apolo chega ao palco Deus
ex machina. E volta a colocar tudo em ordem, explicando que Helena foi
colocada entre as estrelas e que Menelau deve voltar a Esparta. Diz a Orestes
para se dirigir a Atenas ao Areópago,
o tribunal ateniense, para obter julgamento, pelo qual mais tarde será
absolvido. Além disso, Orestes deve casar-se com Hermione, enquanto Pílades se
casará com Electra. Finalmente, Apolo diz aos mortais para se afastarem em
alegria e paz, sendo o mais honrado e favorecido dos deuses.
Temas
Como
em grande parte da sua obra, Eurípides
usa a mitologia da idade do Bronze para defender uma ideia sobre a
política de Atenas clássica durante a Guerra do Peloponeso. Orestes foi
apresentada pela primeira vez na Grande Dionísia nos anos de declínio da guerra,
tendo tanto Atenas
como Esparta
como todos os seus aliados sofrido perdas tremendas.
Eurípides
desafia o papel dos deuses, e talvez mais propriamente a interpretação pelo
homem da vontade divina. Orestes e outros notam o papel subordinado do homem
face aos deuses, mas a superioridade dos deuses não os torna particularmente
justos ou racionais. Até mesmo Apolo, o Deus sinónimo da lei e da ordem, dá em
última análise um argumento insatisfatório. Por exemplo, ele cita a razão para
a guerra de Tróia como o método que os deuses decidiram para limpar a terra de
excesso de população. Isto nos leva a questionar por que razão os deuses (ou os
líderes políticos) usariam a guerra como um instrumento para atingir um bem
maior e, sendo este o caso, por que razão esses deuses/líderes são dignos da
nossa admiração e louvor?
William
Arrowsmith elogiou a peça enquanto condenação aguda da sociedade de Atenas,
afirmando:
Tragédia
totalmente sem afirmação, uma imagem de ação heróica vista como remendada, desfigurada
e doente, conduzida pela engrenagem e slogans de ação heróica num crescendo
constante de ironia
mordaz e raiva de exposição. É... um tipo de tragédia negativa da turbulência
total, derivando o seu poder real da exposição da dolorosa disparidade entre o
ideal e o real, negando toda a possibilidade de ordem e admitindo dignidade
apenas como a ausência agonizante pela qual o grau de depravação irá ser
julgado.[1]
Arrowsmith
também declarou que, "Estou tentado a ver na peça a imagem profética de
Eurípides da destruição final de Atenas e da Hellas, ou dessa Hellas a quem um homem civilizado ainda pode
dar todo o seu empenhamento."[2]
Para além da
vontade dos deuses, é notado o papel do direito
natural e da sua tensão com a lei feita pelo homem. Por exemplo, Tíndaro
argumenta a Menelau que a lei é fundamental para a vida do homem, a que Menelau
contrapõe que a obediência cega a qualquer coisa, mesmo a lei, é um atributo de
um escravo.[3]
Talvez que a
ideia mais importante da peça seja a afirmação definitiva de Apolo de que paz é
o valor que primeiro deve ser reverenciado mais do que todos os outros. Orestes
é o que melhor personifica esse valor ao poupar a vida do frígio, fazendo valer
a ideia de que que a beleza da vida transcende as fronteiras culturais, seja
alguém escravo ou homem livre. Esta foi também a única súplica com sucesso na
peça. Este ponto é de especial valor, dado que a Guerra do Peloponeso já durava
há quase um quarto de século na época da produção desta peça.
As
Bacantes (Bakchai), ou As Mênades, estreou
postumamente no Teatro de Dioniso em 405 a.C.,
como parte de uma tetralogia que também incluía a peça
Ifigênia em Áulis, e que provavelmente foi
dirigida pelo filho ou
sobrinho do próprio Eurípedes.[1]
A obra obteve o primeiro lugar na competição teatral realizada durante o festival da
Grande Dionísia.
A tragédia é
baseada na história mitológica do rei Penteu, de Tebas, e de sua mãe, Agave, e da punição dos dois pelo deus Dioniso, primo
de Penteu, por sua recusa em venerá-lo e pelo injusto descrédito em que pairava
o nome de sua mãe, Sêmele.
Contexto
O Dioniso da
narrativa de Eurípedes é um deus jovem, enfurecido porque sua família
mortal, a casa real de Cadmo, negou-lhe um lugar de honra como divindade. Sua mãe, Sêmele, foi
uma das amantes de Zeus
e, ainda grávida, foi morta porque havia visto Zeus em sua forma divina, o raio.
A maior parte da família de Sêmele, no entanto, incluindo sua irmã Agave, recusou-se a acreditar que Dioniso era
filho de Zeus, e o jovem deus acabou sendo rejeitado em sua própria casa. Após
viajar por toda a Ásia
e outras terras estrangeiras, Dioniso reúne um grupo de devotas, as Bacantes ou
Mênades, e, no início da peça, retorna para se vingar da linhagem de Cadmo,
disfarçado como um forasteiro loiro. Após levar as mulheres de Tebas, incluindo suas tias, a um frenesi extático,
envia-lhes ao Monte Citéron, dançando e caçando, para horror de
suas famílias. Para complicar ainda mais as coisas, o jovem rei Penteu declara a
proibição do culto a Dioniso por toda a cidade de Tebas.
Trama
Dioniso entra no
palco pela primeira vez para contar ao público quem ele é e porque decidiu vir
a Tebas. Ele explica a história de seu nascimento, de como Zeus havia se
apaixonado por sua mãe, Sêmele, e descido do Monte
Olimpo para se deitar com ela. Grávida com um filho divino, ninguém de sua
família acredita em sua palavra, no entanto, e acredita ser apenas uma gravidez
ilícita. Hera,
furiosa com a traição de seu marido, convence Sêmele a pedir a Zeus que apareça
a ela em sua forma verdadeira. Zeus concorda, e aparece como um raio e a mata
instantaneamente. No momento de sua morte, no entanto, Hermes desce e
salva Dioniso de seu ventre; para escondê-lo de Hera, Zeus costura o feto em
sua própria coxa até que ele termine de crescer. A família de Sêmele, no
entanto - suas irmãs Agave, Autónoe e Ino, e seu pai, Cadmo - ainda
acredita que ela cometeu blasfêmia ao mentir sobre a identidade do pai do bebê, e
que teria morrido como resultado deste ato. Dioniso volta a Tebas para vingar
sua mãe, Sêmele.
O velho Cadmo e Tirésias,
embora não estejam enfeitiçados, como as mulheres tebanas, apaixonam-se pelos
rituais báquicos e estão prestes a sair em celebração quando Penteu retorna à
cidade e os encontra vestidos em roupas festivas. Após repreender-lhes com
veemência, Penteu ordena aos seus soldados, que prenda qualquer um que participe
do culto dionisíaco.
Os guardas
retornam com o próprio Dioniso, disfarçado como um sacerdote de seu próprio
culto, o líder das mênades asiáticas. Penteu o interroga, ainda sem acreditar que Dioniso
seja um deus. Suas perguntas, no entanto, revelam seu profundo interesse nos
ritos dionisíacos, que o "estranho" se recusa a revelar inteiramente.
Isto enfurece enormemente Penteu, que ordena que ele seja encarcerado; no
entanto, sendo um deus, ele rapidamente consegue se libertar e cria ainda mais
distúrbios, destruindo o palácio de Penteu com um terremoto gigante, seguido
por um incêndio. Um pastor traz a notícia de que as bacantes (ou mênades)
estariam na região do monte Citéron, realizando feitos especialmente incríveis,
como colocar serpentes em seus próprios cabelos para reverenciar o deus, amamentando
gazelas e lobos selvagens, e fazendo vinho, leite, mel e água brotar do solo. O
pastor ainda conta que, quando tentou capturar estas mulheres, elas avançaram
sobre um rebanho de vacas, rasgando-as em pedaços com suas próprias mãos (sparagmos). Alguns guardas que
atacaram as mulheres também não foram capazes de atingi-las com suas armas,
enquanto elas, por sua vez, puderam derrotá-los apenas com pedaços de madeira.
Dioniso, ávido por punir Penteu por não lhe prestar o devido respeito através
das libações,
utiliza o seu desejo de ver as mulheres em êxtase como pretexto para
convencê-lo a se vestir como uma mênade, para que possa evitar ser identificado
e assim observar os rituais.[2]
Dioniso veste
Penteu como uma mulher e lhe dá um tirso e peles de cervo, e o leva para fora da casa. Penteu
começa a ver tudo dobrado, enxergando duas Tebas, e dois touros a levá-lo
(Dioniso por vezes assumia a forma de um touro).
A vingança logo passa de mera humilhação a assassinato. Um mensageiro chega ao
palácio, para relatar que depois de terem chegado ao Citéron, Penteu quis
escalar uma árvore, para poder ter uma melhor vista das bacantes (ou mênades).
Dioniso, ainda disfarçado como o pastor forasteiro, usou seu poder divino para
entornar as altas árvores, e colocou o rei nos galhos mais altos. Assim que ele
chegou ao topo de uma delas, Dioniso gritou às suas devotas, apontando-lhes o
homem no topo da árvore; ensandecidas, as bacantes (ou mênades) arrancaram
Penteu da árvore e rasgaram seu corpo em pedaços.
Assim que o
mensageiro dá estas notícias a mãe de Penteu, Agave, entra em cena carregando a
cabeça de seu filho, que ela mesma havia arrancado. Em seu estado possuído ela
acreditava que era a cabeça de um leão-da-montanha, e a exibia, orgulhosamente,
para seu pai, ansiosa para lhe mostrar o sucesso de sua caçada, e como tinha
sido corajosa. Ao perceber que Cadmo não está feliz com as notícias, seu rosto
contorcido com horror, Agave começa lentamente a perceber o que fez; a família
é destruída, e Agave e as irmãs são exiladas. Dioniso, num ato final de
vingança, retorna brevemente para castigar novamente sua família por sua
impiedade; Cadmo e sua esposa, Harmonia são transfomados em serpentes. Tirésias,
o velho profeta cego de Tebas, é o único a sair ileso.
Estrutura dramática
Numa peça que
segue uma construção de trama climática, Dioniso, o protagonista, instiga a
ação que se desenrola ao emular simultaneamente o autor, o figurinista, o
coreógrafo e o diretor artístico da peça.[3]
Já se enxergou um simbolismo no fato de Dioniso, o deus do teatro para os antigos
gregos, dirige a peça.[4]
No início da
obra, Dioniso faz a exposição do argumento, da qual já se identificou um
conflito central à peça: a invasão da Grécia por uma religião estrangeira, de
origem asiática.[5]
Análises críticas
Desde o fim da Antigüidade
até o fim do século XIX os temas das Mênades eram considerados muito
repugnantes para serem estudados e apreciados. Foi O Nascimento da Tragédia,
do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, que trouxe de volta a
questão da relação de Dioniso com o teatro, e elevou o interesse nas Mênades.
Durante o século XX performances da peça tornaram-se bem populares,
especialmente na forma de ópera, devido aos coros dramáticos encontrados por
toda a trama.[6]
Análises mais técnicas ressaltam como Eurípides consegue dominar igualmente as
belezas poéticas e dramáticas de sua obra e o tratamento de temas mais
complexos.[7]
Enredo Iphigenia at Aulis:
Segundo Eurípedes,
antes de partir para Tróia,
Agamemnon
irritou Ártemis
ao caçar um cervo em uma floresta sagrada e se gabar de ser o melhor caçador.
Como punição os ventos no porto de Áulis pararam e Agamenon deveria
sacrificar sua filha em um altar a Ártemis,
para que a deusa fizesse soprar bons ventos para a partida dos exércitos gregos
a Tróia. Agamemnon manda uma carta a sua esposa, Clitemnestra, para que traga a
filha com a promessa que ela se casaria com Aquiles. Depois
se arrepende e tenta mandar uma nova carta, que é lida por Menelau que briga
com o irmão. Mas já é tarde demais e Clitemnestra, Orestes e Ifigênia já haviam
chegado a Áulis. [16]
Agamemnon tenta
convencer Clitemnestra voltar para Micenas mas ela se recusa a não participar
do casamento da filha. Quando encontra Aquiles, que desconhece a trama, ambos
descobrem a verdade sobre o cruel destino que espera a filha e que foi enganada
pelo marido. O exército se revolta com a demora, mas Aquiles defende Ifigênia
mesmo da raiva dos mirmidões. Ifigênia decide se sacrificar para impedir que a
revolta continue, para que Aquiles não seja ferido em vão e para ajudar os
gregos a seguirem para Tróia. Para admiração de Aquiles ela segue para o altar
ignorando as súplicas da mãe que se desespera com seu destino cruel. No último
momento, Ártemis substituiu a princesa por uma corça, e a fez sua suma
sacerdotisa, levando-a para Táurida. [16]
Em outra versão ela é realmente sacrificada mas sua alma é resgatada e
imortalizada pelos deuses.
O CÍCLOPE, o
único drama satírico completo existente, relata o encontro de Odisseu com o
canibal Polifemo de um só olho, a quem enganou e cega a fim de poder fugir. O
Ciclope está cheio de humor grotesco. No festival de 415 a.C. Eurípedes dava ao
mundo a mais nobre de suas peças pacifistas - AS TROIANAS. Um lamento na selva
da desumanidade do homem para com o homem que se abre com uma avassaladora
sensação de melancolia. Tróia caiu, seus homens estão todos mortos e seus
santuários foram profanados pelos conquistadores que não pouparam ninguém que
lá houvesse procurado refúgio. Os deuses estão soturnos e irados e sentem-se
tanto mais ultrajados quanto vários deles haviam apoiado os gregos na guerra.
Revoltados pela carnificina e impiedade dos vencedores, os deuses lhes
pressagiam maus tempos. A cidade é incendiada e as mulheres, que se atiraram ao
chão para invocar seus mortos, visto que os deuses permaneceram surdos à
oração, são arrastadas para os navios gregos.
Rhesus é uma tragédia ateniense que pertence às peças
transmitidas de Eurípides. Sua autoria foi disputada desde a antiguidade [1]
e a questão tem investido estudiosos
modernos desde o séc. 17, quando a autenticidade da peça foi desafiada, em
primeiro lugar por Joseph
Scaliger e, posteriormente, por
outros, em parte por motivos estéticos e em parte nas peculiaridades do
vocabulário da peça , estilo e técnica. [2] A atribuição convencional a Eurípides continua a
ser controversa.
Rhesus
ocorre durante a Guerra de Tróia, na noite em que Odisseu e Diomedes
se aproximam do campo de Tróia. O mesmo evento é narrado no livro 10 do poema
épico de Homero, a Ilíada.
Sinopse do enredo
No
meio da noite, os guardas de troianos à procura de atividade inimiga suspeita
vêem incêndios brilhantes no campo grego. Eles informam prontamente Hector, que quase emite um chamado geral para o
exército antes que Eneas o faça ver como
mal-avisado isso poderia ser. Sua melhor opção, segundo Eneas, seria enviar
alguém para espionar o campo grego e ver o que o inimigo faz. Dolon voluntaria-se para espionar os
gregos em troca dos cavalos de Aquiles quando a guerra é ganha. Hector aceita o
acordo e o envia para fora. Dolon sai vestindo a pele de um lobo, e planeja
enganar os gregos caminhando a quatro patas. Rhesus, o vizinho rei da Trácia, chega para
auxiliar os cavalos de Tróia logo após o início de Dolon. Hector repreende-o
por estar muitos anos atrasado, mas decide melhor tarde do que nunca. Rhesus
diz que pretendia vir no início, mas foi desviado defendendo sua própria terra
de um ataque dos Citas.
Enquanto
isso, no caminho para o acampamento de Troiano, Odysseus e Diomedes correm até
Dolon e o matam. Quando eles chegam ao acampamento com a intenção de matar
Hector, Athena os guia para o quarto de dormir de Rhesus, apontando que eles
não estão destinados a matar Hector. Diomedes mata Rhesus e outros, enquanto
Odisseu leva seus cavalos preciosos antes de fugir. Rumores se espalharam entre
os homens de Rhesus que fora um trabalho interno, e que Hector era responsável.
Hector chega para criticar os sentinelas, devido às táticas astutas, o culpado
só poderia ser Odisseu. A mãe de Rhesus, uma das nove musas, então chega e
culpa todos os responsáveis: Odisseu, Diomedes e Atena. Ela também anuncia a
iminente ressurreição de Rhesus, que se tornará imortal, mas será enviado para
viver numa caverna subterrânea.
Esta
curta peça é mais notável pela comparação com a Ilíada. A parte com Dolon é
empurrada para o fundo, e muito mais é revelado sobre Rhesus e as reações dos
troianos por seu assassinato.
Controvérsia
O primeiro a contestar completamente que o Rhesus
era uma peça de teatro de Eurípides foi L.
C. Valckenaer em sua Phoenissae (1755) e Diatribe in Euripidis
deperditorum dramatum reliquias (1767).[3] Em uma introdução a Rhesus, o estudioso
clássico Gilbert Murray escreveu que as passagens da peça foram citadas pelos primeiros escritores
alexandrinos. [4]
As antigas hipóteses transmitidas
junto com a peça, no entanto, mostram que sua autenticidade foi atacada por
vários estudiosos cujos nomes não são dados. [2]
Os casos contra a autoria de
Euripides geralmente se centram em diferenças estilísticas. Murray argumentou
que isso pode ser atribuído simplesmente a um Eurípides mais novo ou menos
desenvolvido. Murray também levantou a possibilidade de ser uma reprodução de
uma peça de Eurípides, talvez sofrida por um filho contemporâneo ou pelo filho
de Eurípides. A professora Edith Hall
argumentou em uma introdução que os
leitores modernos "serão surpreendidos particularmente pela falta de
interesse Euripdiano para as mulheres", e observou o filho de Euripides,
que recebeu o nome da tragédia, como argumento contra a atribuição convencional.
[5]
Em 1964, William Ritchie defendeu a autenticidade
da peça em um estudo de livro. Suas conclusões foram opostas, no entanto, por Eduard
Fraenkel. Antes de Ritchie, Richmond Lattimore também afirmou que o Rhesus tinha sido escrito
por Euripides, provavelmente em algum momento antes do 440 aC. [6]
O professor e tradutor Michael
Walton afirmou que estudiosos modernos concordam com as autoridades clássicas
em atribuir a peça a Eurípides [7], mas admitiu em um trabalho posterior que
a atribuição ainda é contestada por vários estudiosos. [8]
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